O texto disponibilizado abaixo, foi originalmente publicado no livro "Projeto Ergonômico de Salas de Controle" editado pela Fundação Mapfré do Brasil e é de autoria da Dra. Venétia Santos e da Dra. Maria Cristina Zamberlan que gentilmente permitiram a sua publicação neste  espaço.

 

CONFIGURAÇÃO DAS TELAS

 

Segundo DE KEYSER (1980), seis fatores devem ser respeitados para se chegar a uma boa configuração da tela.

 

A lógica da seqüência - Respeitar a lógica do operador na atividade que será cumprida e não impor a lógica rígida do programa.

 

O espaço - Prever espaços e pontos de referência para reagrupar as informações em unidades de informação, aumentando a quantidade de informação tratada na unidade de tempo. O congestionamento de informações na diagramação da tela implicará em erros.

 

A pertinência da informação retida - Uma das causas do congestionamento é o desejo do projetista em querer colocar tudo na tela. O objetivo é o de reduzir a informação ao que é pertinente ao sujeito e à tarefa exercida.

 

A consistência - Trata-se da coerência interna das representações utilizadas no interior de cada tela e entre as telas.

 

O agrupamento - Trata do agrupamento sobre a tela dos itens e dados em inter-relação.

 

A simplicidade - As telas devem ser simplificadas ao máximo. Isto não significa dizer que elas não podem ter um nível alto de complexidade ou de detalhes, mas somente quando a tarefa exige.

 

Pode ser útil prever uma estruturação de formatos, indo do mais geral e simplificado ao mais detalhado. Segundo DANIELLOU (1987), na configuração das telas deve-se respeitar regras.

 

Regra 1 - Adaptação às características da população.

 

Regra 2 - Ligação da informação com ação: os comandos e informações relativos a uma mesma manobra devem estar próximos.

 

Regra 3 - Verificação: o agrupamento das informações deve favorecer o diagnóstico, quer dizer, facilitar a identificação das configurações significativas.

 

Regra 4 - Evidenciar a informação: as informações mais importantes para a segurança e as informações mais consultadas devem se encontrar nas zonas freqüentemente percorridas pelos olhos na tela (quarto superior esquerdo, se a tela contém numerosas informações e, na parte central, se a tela não tem muitas informações).

 

Regra 5 - Regra de homogeneidade:

 

 

Divisão das Informações na Tela

 

A divisão das informações por telas é fundamental. Se essa divisão for mal feita os usuários terão que trocar várias telas durante a resolução de um problema, o que é fonte de fadiga visual, impõe uma memorização importante e torna difícil a constituição da representação do estado da unidade. Deve-se detectar as ligações funcionais entre as informações.

 

Diálogo com o Computador

 

A utilização de códigos necessita de uma memorização complexa. Os códigos devem estar próximos da

linguagem natural. Deve-se poder corrigir erros ou interromper a execução de um procedimento/

comandado incorreto. Quando o programa efetua uma interpretação de uma instrução dada pelo usuário

ele deve indicar esse fato e solicitar a validação.

 

Logo que um erro é detectado, o programa deve repor o diálogo da fase na qual o erro foi detectado.

Quando as mensagens com erro são apresentadas, devem vir complementadas com ações passíveis de

serem realizadas. A tecla de assistência (HELP) deve apresentar as regras do diálogo para uma fase

particular.

 

Quando a operação de um cálculo exigir um tempo de resolução superior a dez segundos, na tela deverá

aparecer a informação da etapa em que se encontra o cálculo.

 

Diagramação dos Dados na Tela

 

A informação deve ser repartida em grupos, para permitir ao usuário associar ou comparar classes de informações similares.

 

A estruturação necessária, a nível de tela (página), também é necessária para os dados.

 

A apresentação de cinco ou mais números, se não tiverem uma ordem natural, deverá ser em blocos de três ou quatro unidades cada um; se for uma série de dez unidades, então a estrutura de apresentação deverá, também, se compor de grupos distintos de 3, 4, 3 (por exemplo: A62 4156 317).

 

Os grupos de dados devem ser espaçados de, no mínimo, o equivalente a um caracter; os parágrafos devem ser separados por um espaço de, no mínimo, uma linha, e os títulos sublinhados em negrito ou em maiúsculas.

 

Os dados apresentados em quadros ou tabelas, devem ser fixados da esquerda para a direita e do alto para baixo; se, por acaso, se estenderem sobre mais de uma página (tela) na vertical, as colunas deverão ter uma apresentação idêntica em cada página; os dados de tabelas não devem se estender horizontalmente por mais de uma página (tela).

 

As listagens devem ser alinhadas verticalmente e justificadas à esquerda; se forem apresentadas sob forma de tabelas, os dados alfanuméricos deverão ser justificados à esquerda, os dados numéricos (sem decimais) à direita.

 

Os dados numéricos a serem examinados e comparados deverão ser apresentados sob forma gráfica ou de tabela. A combinação das duas formas provoca uma diminuição da rapidez de leitura, mas aumenta a precisão das respostas.

 

Linguagem de Comando

 

As abreviações devem conter o mínimo de letras possíveis e serem semanticamente significativas.

 

O número de letras deve ser inferior a três caracteres, escolhidos segundo as regras:

 

 

O tamanho de um menu de cerca de trezentos caracteres é considerável aceitável.

 

O número ótimo de alternativas por página se situa entre 4 e 8, se os itens do menu forem curtos, podem ser reagrupados em duas colunas.

 

O menu deve facilitar a aprendizagem quando for necessário (passos detalhados para acesso e mudança de informações), mas deve possibilitar "queimar" etapas da seqüência de menus que são apresentados para o usuário experiente (preferência por linguagem de comando):

 

 

-         utilização das cores para identificar comandos perigosos;

 

-         reagrupar comandos relacionados com o mesmo tipo de funcionalidade;

 

-         fazer corresponder à organização espacial às funções de comandos (colocar os comandos da esquerda à direita, segundo sucessão da utilização no tempo);

 

-         reagrupar os comandos por funcionalidade (por exemplo: comandos perigosos são isolados e as cores são associadas às funções: azul = documento, amarelo = texto).

 

 

Combinação de Cores para Caracteres e Fundo

 

Cor de Fundo

Cor do Caracter

Utilizar

Evitar

Branco

Magenta, vermelho, verde, azul

Amarelo

Amarelo

Magenta, vermelho

Branco, azul, verde

Azul esverdeado

Vermelho, azul

Verde, amarelo

Magenta

Azul, branco, azul esverdeado, verde

Vermelho

Vermelho

Branco, amarelo, azul esverdeado

Magenta, azul

Azul

Branco, azul esverdeado, verde

Vermelho

Verde

Amarelo, branco

Azul esverdeado, azul

Eficiência visual segundo as cores dos caracteres nas telas. Fonte: ITSEMAP, 1990.

 

 

INTRODUÇÃO DE CORES NAS TELAS

 

Escolha de Telas com Contraste Positivo ou Negativo

 

Existem dois tipos de tela: as telas com contraste negativo (de fundo escuro e caracteres claros) e as telas com contraste positivo (de fundo claro e caracteres escuros). Vários experimentos sobre visibilidade, utilizando os dois tipos de telas, foram realizados por KUCHUE et alli (1986); ZWAHLEN (1986) e BAUER (1986).

 

Segundo esses autores, sendo maior a luminância da tela com contraste positivo, o diâmetro da pupila do operador fecha e fica menor, alcançando uma maior profundidade de foco, sendo mais fácil, portanto, focar as trocas de objetos. O desgaste com a adaptação dos olhos é menor, já que as diferenças entre luminâncias são menores entre objetos e entre manuscritos e tela, e os reflexos na tela perturbam menos o operador.

 

Segundo CHARNESS (1985), o diâmetro da pupila é um dos mais importantes índices fisiológicos, porque a nitidez da visão é obtida pela contração da pupila por pessoas que necessitam de lentes corretivas, especialmente as mais idosas.

 

Segundo KANAYA (1990), deve-se observar, entretanto, que como na tela com contraste positivo a cintilação da imagem é mais facilmente percebida pelos olhos, a freqüência de cintilação tem que ser maior do que na tela com contraste negativo. Explicaremos melhor esse mecanismo no item a seguir.

 

Persistência e Cintilação da Imagem

 

Segundo CAKIR (1980), logo que um caracter é projetado na tela de um tubo catódico, ele começa a desaparecer a uma velocidade que depende da persistência do fósforo.

 

Para manter a imagem visível na tela, o caracter deve ser constantemente regenerado; se a imagem não é suficientemente regenerada ela parecerá piscar.

 

Isto não só distrai a atenção mas pode perturbar a visão do usuário.

 

O ritmo de renovação do fósforo é a freqüência com a qual cada parte da superfície do tubo é novamente iluminada pelos feixes de elétrons. Essa freqüência é indispensável para evitar a percepção da cintilação e depende da remanescência do fósforo, quer dizer, do tempo que o fósforo permanecerá luminoso após a excitação do feixe de elétrons.

 

A persistência do fósforo é classificada: em baixa, média e alta. Ainda que essa classificação seja arbitrária, a persistência pode ser descrita como uma constante de tempo do fósforo, ou seja, o tempo durante o qual a intensidade luminosa caia de 1 a 37% do valor inicial.

 

Para os fósforos de baixa persistência, o período de fosforescência não dura mais que 1 milisegundo. Os fósforos de média remanescência, 2 segundos e os fósforos de alta remanescência muitos segundos.

 

Utiliza-se fósforos de baixa e média persistência quando a imagem é estática; sendo o caso de terminais alfanuméricos.

 

Ao contrário, os receptores de televisão tem obrigatoriedade de usar fósforos de baixa persistência para permitir a mobilidade da imagem na tela.

 

Pode-se obter uma imagem estável de três maneiras:

 

 

O uso do contraste positivo das telas é cada vez mais freqüente. Em relação a cintilação da tela positiva, OHTAKE et alli (1985) conduziu um experimento para determinar o limite mínimo da freqüência da tela, para que a cintilação não possa ser percebida na tela.

 

O autor mostrou a relação entre as freqüências mínimas, que não proporcionam cintilação, e a luminância da tela, quando as características do fósforo são de baixa, média e alta persistência.

 

As Cores

 

A cor e o computador

 

A percepção, segundo MURCH (1987), é, em uma definição simples, a diferenciação entre figuras e o seu fundo. Isso significa que a figura deve, de alguma maneira, ser diferente do fundo, de forma que possa ser discriminada dele. As diferenças das cores provêm meios para essa discriminação entre figura e fundo: os contornos externos dos objetos, bem como, os contornos internos são como margens delimitadas pelas diferenças de cores. As imagens geradas pelos computadores também funcionam assim. Tanto telas de computadores, quanto as cópias impressas contém figuras, linhas, margens, formas que são diferenciadas do fundo a partir de cores.

 

Embora o termo cor seja geralmente utilizado para descrever atributos como, por exemplo, vermelho e verde, ele vem sendo efetivamente estendido às cores denominadas neutras (preto, cinza etc). Um objeto que possui um matiz específico, como vermelho ou verde, tem uma cor cromática. Um objeto que se distingue do seu fundo a partir da luminosidade, tal como o preto ou o cinza, tem uma cor acromática. As figuras podem ser percebidas somente a partir das diferenças de matizes, da diferença de luminosidade, ou a partir das duas coisas. As cores cromáticas e acromáticas podem também apresentar vários níveis de brilho, do escuro ao alto brilho.

 

O estímulo que permite a formação da percepção contêm contornos e limites criados pelas diferenças de luminosidade, brilho e matiz.

 

A forma como os indivíduos percebem as cores resulta de, pelo menos, sete fatores:

 

Percepção da cor cromática

 

Segundo MURCH (1987), a superfície de uma tela colorida é formada de centenas de pequenos pontos de fósforo.

 

Os fósforos são compostos que emitem luz quando bombardeados por elétrons. A quantidade de luz emitida depende da energia do feixe de elétrons.

 
 

Os fósforos são distribuídos na tela em grupos de três (tríade), com um fósforo emitindo comprimentos de ondas luminosas longos, os vermelhos, outro emitindo comprimentos de ondas luminosas médios, os verdes, e o terceiro emitindo comprimentos de ondas luminosas curtos, os azuis.

 

Para apresentar um objeto vermelho na tela, por exemplo, todos os fósforos vermelhos que formam o contorno e o interior do objeto são estimulados a emitir luz. Objetos verdes e azuis são apresentados na tela num processo semelhante a esse.

 

Diferenciação das cores nas telas

 

Segundo SILVERSTEIN (1987), a qualidade da informação codificada por cores numa tela depende da efetiva diferenciação entre as cores.

 

Os principais fatores que influenciam a discriminação de cores na tela são: comprimento de onda, pureza e luminância; esses três fatores são determinados por características do hardware.

 

Na medida que os comprimentos de ondas das cores apresentadas na tela se diferenciam, a capacidade de discriminação se torna mais apurada. A pureza da cor se comporta de forma semelhante. O aumento  na pureza das cores apresentadas na tela maximiza a sua percepção. Mudanças na luminância de uma imagem em cores, acarretam mudanças na percepção de sua cor e saturação.

 

O aumento da luminância da cor no display ou o aumento do seu brilho geralmente resulta na melhoria da percepção e discriminação da cor.

 

As imagens coloridas tendem a ser percebidas como acromáticas a níveis ou muito baixos ou muito altos de luminância.

 

Também os níveis, a partir dos quais a percepção acromática começa a cair, depende do tamanho da imagem, bem como, das características do seu entorno.

 

Tamanho do campo colorido

 

O tamanho do campo colorido é muito importante na percepção da cor.

 

A habilidade de discriminação entre cores, particularmente dentro da faixa entre azuis e amarelos, se reduz principalmente nos campos pequenos. Em geral, figuras com tamanhos menores do que 15 minutos de arco visual ficam prejudicadas com relação a percepção de cor e discriminação.

 

Para uma boa discriminação das imagens, na faixa entre os amarelos e azuis, deve ser considerado como campo mínimo 20 minutos de arco.

 

Adaptação do nível de brilho

 

O nível de adaptação ao brilho, por parte do observador da tela do computador, varia em função da luminância da imagem na tela, da luminância do fundo da tela e da luminância do campo visual em torno da tela.

 

Se a adaptação do observador é o resultado da luminância emitida e refletida pela tela, a percepção da cor aumentará na medida que o nível de adaptação aumenta. A capacidade de discriminação de cores aumenta na medida em que a luminância do ambiente e da imagem aumentam sincronizadamente.

 

Número de cores na tela

 

O número de cores usadas para codificar informações afeta profundamente a discriminação das cores (SEMPLE et alli, 1971). Na medida em que se aumenta o número de cores, a discriminação se torna mais difícil, requerendo um controle das cores mais rígido (KREBS et alli, 1978; SILVERSTEIN & MERRIFIELD, 1985).

 

Sendo assim, o aumento do número de cores afeta o hardware em termos da capacidade de produção de cores e da estabilidade das cores produzidas.

 

Recomenda-se o uso de três a sete cores numa mesma tela, quando as cores forem utilizadas com o propósito de codificar informações (HAEUSING, 1976; KINNEY, 1979; KREBS et alli, 1978; SILVERSTEIN & MERRIFIELD, 1981 e 1985; TEICHNER, 1979).

 

Fundo da tela

 

Os efeitos do fundo da tela estão relacionados ao nível de adaptação do observador e ao contraste de luminância da tela em questão.

 

Símbolos coloridos apresentados num fundo claro são percebidos como mais saturados do que os mesmos símbolos coloridos apresentados num fundo escuro (FARREL & BAOTH, 1975; PITT & WINTER, 1974). O aumento da sensibilidade cromática resultante de um entorno luminoso geralmente facilita a discriminação da cor.

 

Localização do estímulo da cor

 

A região da retina atingida por meio do estímulo visual afeta profundamente a percepção das cores (HURVICH, 1981; KINNEY, 1979). A figura a seguir mostra a distribuição dos receptores cones e dos receptores bastonetes na retina. Observa-se que a densidade de receptores cones, capazes de perceberem e diferenciarem as cores, diminuem em número na periferia da retina. A área de visualização direta, a fóvea, é limitada numa área de 1 a 2 graus do ângulo visual e contém somente receptores cones.

 

A percepção das cores e a acuidade visual são maiores na fóvea, e pioram, tanto uma quanto outra, na medida em que o que deve ser visualizado se afasta dessa região central.

 

As zonas de percepção das cores na retina não são simétricas: a sensibilidade ao azul e amarelo abrange mais a periferia visual da retina do que a sensibilidade ao vermelho e verde (HURVICH, 1981; KINNEY, 1979). As figuras a seguir mostram os resultados de um estudo de KINNEY (1979), que ilustra a deterioração do julgamento de cores (vermelho, verde, azul, amarelo), que ocorre para um grau de estímulo à cor localizado em vários graus de excentricidade a partir da fóvea. Os resultados dos gráficos indicam que a cor pode ser efetivamente usada para codificar os displays, numa faixa entre 10 e 15 graus na periferia visual da fóvea.

 

Demanda de desempenho

 

O tipo de desempenho de discriminação de cor, demandado ao observador, é determinante na distinção de cores em telas. O tipo de desempenho requerido é determinado pelo tipo de aplicação da tela e pelo método de codificação de cor empregado. A discriminação absoluta de cor envolve o reconhecimento e a identificação de amostras de cor individualmente. A discriminação comparativa ou relativa requer a detecção de diferenças simultaneamente apresentadas em amostras de cores.

 

O número de cores discrimináveis e a exatidão e confiabilidade dos julgamentos de cor são consideravelmente maiores em situações comparativas do que em situações que requeiram um julgamento absoluto e individual da cor (HAEUSING, 1976; KREBS et alli, 1978). Essa diferença básica de desempenho se mantém independentemente do tipo de figura, sejam superfícies coloridas, sinais luminosos ou imagens geradas em telas de computadores.

 

Para telas em cores utilizadas em meios operacionais, pode ser usado um repertório de três ou quatro cores, na medida que se requeira o julgamento absoluto da cor. Quando a demanda for a discriminação comparativa, esse número pode ser elevado a seis ou sete cores. (HAEUSING, 1976; SILVERSTEIN & MERRIFIELD, 1981).

 

Características visuais da população usuária

 

O último fator a ser considerado são as características da população usuária. A visão das cores varia em função da idade do observador.

 

A boa discriminação das cores se mantém até, aproximadamente, os 25 anos, seguida por um declínio gradual que se acentua em torno dos 65 anos (BURNHAM et alli, 1963). Mudanças na pigmentação ocular, com o aumento da idade e a redução progressiva de tansmissão nos meios oculares, resultam numa diminuição da sensibilidade ao contraste e há perdas especialmente na sensibilidade à luz em Comprimentos de onda curtos.

 

Fadiga visual

 

Atividades que demandem a visualização de uma tela em cores, na medida em que ela seja bem projetada, acarretarão um esforço visual semelhante à leitura de um livro ou ao trabalho numa linha de montagem onde tenham que ser observados detalhes. A distância dos olhos até a tela, o livro ou a linha de montagem é semelhante, e geralmente se dá em condições visuais também semelhantes.

 

Segundo SMITH (1987), a fadiga visual pode se manifestar pelo desempenho, por fatores subjetivos ou por mudanças a nível fisiológico.

 

As funções geralmente vulneráveis aos efeitos da fadiga são o sistema focal dos olhos, a sensibilidade retiniana, a recepção e a percepção das imagens visuais no cérebro e a eficiência muscular de controle de movimentação e fixação do olhar.

 

Os sintomas dessa fadiga são nitidez anormal devido a incapacidade de manter o foco e a fixação do olhar, turvamento e embaçamento da visão, alteração das cores dos objetos, confusão de imagens e visão dupla.

 

Esses sintomas parecem também ocorrer quando nos ocupamos em algumas atividades por longos períodos de tempo, em condições tais como:

 

 

Os sintomas da fadiga visual variam de acordo com as características pessoais. O termo "fadiga" pode ser definido como a saturação de um organismo devido ao esforço, ou como a perda temporária da capacidade de resposta ou reação devido a uma estimulação contínua. Pode ser caracterizada como aguda, crônica ou induzida pela tarefa.

 

A fadiga aguda é caracterizada pelos sintomas produzidos pelas atividades fatigantes de trabalho de curta duração, cujos primeiros efeitos são a nível muscular, e pode ser atenuada por meio de repouso.

 

A fadiga crônica implica em fenômenos fisiológicos que são cumulativos e, em alguns casos, não são atenuados pelo repouso.

 

A fadiga induzida pela tarefa é, temporariamente, produzida ou induzida pelo trabalho numa tarefa específica, por um longo período. A fadiga ocorre, por exemplo, quando se executa uma atividade monótona, o que pode ser rapidamente revertido por uma mudança de atividade de trabalho.

 

A fadiga visual pode ser definida como um efeito funcional, fisiológico e rapidamente reversível, decorrente da contração prolongada, excessiva ou difícil dos músculos oculares com o objetivo de manter o foco visual apurado. Entretanto, a fadiga visual vem sendo entendida por muitos pesquisadores como sendo uma combinação entre a fadiga dos músculos oculares e a fadiga perceptiva. A primeira se refere a movimentação dos olhos (sistemas de fixação e de focalização), enquanto a fadiga perceptiva resulta de esforços prolongados de interpretação de imagens visuais. A fadiga perceptiva pode ocorrer acompanhada ou não da fadiga muscular dos olhos, embora alguns dos sintomas da fadiga visual possam ser decorrentes dos esforços perceptivos.

 

Pesquisas acerca da fadiga visual indicam que ela pode ser aguda ou induzida pela tarefa. Isso indica que ela pode ser causada pelo trabalho dos músculos oculares ou pela redução da capacidade mental.

 
 

O conceito de fadiga mental cognitiva é, entretanto, confundido com o da fadiga visual. Alguns dos indicadores da fadiga mental são a fusão e tremulação críticas de visão, o índice de piscamento dos olhos e o diâmetro da pupila. A fadiga visual pode ser medida por meio da avaliação dos mesmos índices da fadiga mental.

 

Em muitos casos, outras formas de fadiga ou estresse são confundidas com a fadiga visual. Por exemplo, um indivíduo pode estar exposto à fadiga postural devido ao trabalho estático dos músculos, decorrente da rigidez da posição do pescoço. Os músculos posteriores do pescoço podem estar comprimindo os nervos que se irradiam para a cabeça, causando dores de cabeça. A dor de cabeça pode ser atribuída às condições de visualização da tela do computador, mas pode, de fato, ser decorrente da posição relativa da cadeira, levando à má postura e à compressão dos músculos do pescoço.

 

Quando os usuários dos terminais dispõem de mobiliário ajustável e bem projetado, com ambiente físico adequado e condições administrativas de trabalho satisfatórias, as queixas acerca do estresse visual se reduzem significativamente.

 

Conseqüências do uso de telas em cores sobre o operador

 

A informação obtida por meio de telas em cores pode, ou não, produzir vantagens significativas de desempenho em relação a uma tela monocromática, uma vez projetada.

 

Entretanto, apesar de não se poder mensurar essa melhoria de desempenho, os usuários tendem a preferir o uso de telas cromáticas ao invés de telas monocromáticas.

 

Segundo CHRIST (1975), cinco pesquisas, que levaram em conta índices subjetivos de preferência e respostas a questionários, indicavam uma forte tendência ao uso de telas em cores. Os operadores sob estudo, nessas cinco pesquisas, se sentiam mais seguros com a codificação por cores, na medida em que, para eles, as telas em cores eram de uso mais natural e aumentavam sua capacidade de detecção de detalhes. Segundo esses operadores o uso de telas em cores era menos monótono e proporcionava menos fadiga mental e visual.

 

Estudos realizados com pilotos indicaram que eles, também, preferiam telas em cores para o comando de aviões e selecionavam, sistematicamente, cores altamente saturadas para a codificação das informações (BEYER, 1971; SILVERSTEIN & MERRIFIELD, 1981).

 

Segundo SILVERSTEIN (1987), muitas questões acerca do impacto do uso das telas em cores ainda permanecem sem resposta, mas, até o presente momento, a preferência dos operadores pelo uso de telas em cores para a codificação das informações deve ser considerada como um critério válido no momento de decisão de usá-las ou não.