In Construção

 

Algumas colunas interessantes, selecionadas  na Internet:

 

Colunas interessantes retiradas da revista EngWhere

 

Seu amigo o peão de obra

Engº Amado Gabriel da Silva

 

Não venha com esta gabarolice que peões são como crianças grandes... Peão de obra não é criança e nem tão crescido assim. Está mais é para o sertanejo, de Euclides da Cunha, também construtor, é antes de tudo um forte. E pode ser, como aquele, bruto e meigo e, apesar da coragem, acreditar em assombração.

Mesmo subalimentado é alegre, cordial e respeitador, e sem dinheiro no bolso é bom companheiro, amigo e humilde. Se você, Engenheiro de Obra, é dos que não conseguem se compadecer ou se desvencilhar dos preconceitos contra os menos favorecidos pela sorte, errou na escolha da profissão.

Principalmente trate-o com respeito. Todo relacionamento exige isto. Se você o tratar como "bicho", ele responderá com a única reação possível: portando-se como um bicho. Se o agradar, terá um amigo para todas as horas.

Ele chegou à obra cedo. Bem antes das 7 estava na fila do ponto. Trabalhou pesado e merece um almoço decente. Capriche em sua refeição. Não há nada que o irrite tanto quanto uma refeição inadequada. Descubra seus gostos. Lembre-se que não há obra bem tocada se o refeitório estiver desagradando.

Ouça-o e oriente-se com suas críticas. Não há mais sinceras e precisas.    Principalmente se direcionadas à sua própria administração. Mais que qualquer outro funcionário da empresa estará ele sabendo sobre a produtividade da obra, que lhe é filtrada do próprio suor.

Os resultados da obra, aliás, não só dependem mas são méritos dele. Faça-o enxergar isto.

Impressione-o com camaradagens e humor. O elogio, como a nenhum outro indivíduo, cai-lhe como uma benção. Seja mesmo astucioso. Nesta relação de trabalho ele nunca irá perceber que entre os dois, quem mais precisa do outro é você.

Não o amedronte usando sua condição de chefe e nunca lhe dê ordens diretas, atravessando seu organograma.

Saiba que a firmeza, a liderança, o humor e o caráter do chefe da obra, estão entre as notícias que mais se espalham, e sempre em manchete nas rádios-peões.
Não se faça de ocupado para impressioná-lo. Retribua-lhe seus bons-dias. Afinal você está em campo, num local de trabalho arejado, de respeito e educação, e não em um mofado escritório na Avenida Paulista.

O trabalho é pesado, mas não lhe negue. Não há mais impróprio lugar para rixas e picuinhas que em uma obra. Se quer ser admirado, não aceite bajuladores em sua sala.

Preocupe-se em lhe dar condições seguras de trabalho e cientificar-lhe disto.
Jamais tenha medo do peão, até porque ele não é de briga e não morde. Além de ofendê-lo gravemente, você perderá autoridade e respeito. Neste caso o insucesso da obra, e o seu, serão iminentes.

Sobretudo goste do peão. Ele é parte significativa de seu ofício e faz por merecer. Sua companhia é agradabilíssima, seu humor irresistível, e está dispondo-se, em troca de algum reconhecimento pelo seu trabalho, a admirá-lo.

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O Buraco é Mais em Cima
 

Ênio Padilha
Engenheiro, escritor e palestrante.
Formado pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing Empresarial na UFPR, em 1996/97.

Escreve regularmente e seus artigos são publicados, todas as semanas, em diversos jornais do país.
eniopadilha@uol.com.br
 

Há muito tempo que essa constatação me incomoda. Na verdade, quem leu meu primeiro livro (Marketing para Engenharia, Arquitetura e Agronomia) deve ter visto, já na primeira edição de 1998, no último capítulo, algo a respeito. O assunto foi abordado em todas as edições seguintes e na última (a quinta) de forma bastante explícita.

Tem alguma coisa errada com essa afirmação de que o marketing é uma coisa capaz de solucionar os problemas mercadológicos dos engenheiros e arquitetos. O marketing não tem essa capacidade porque ele não consegue se aplicar a empresas sem que haja uma base na qual ele possa se sustentar. Essa base se chama Administração.

Então o problema (ou a solução) não está no marketing. Está um pouco mais acima: na administração.

As empresas de Engenharia, de Arquitetura e de Agronomia são mal administradas. Os profissionais desconhecem aspectos primários das Teorias de Administração e das Teorias Organizacionais. Desconhecem Marx, Webber, Taylor, Fayol, Elton Mayo e as coisas que decorrem do que esses pensadores estudaram. Com isso, estamos administrando nossas empresas na base do chute. Com práticas gerenciais tiradas do senso comum, muitas vezes sem nenhum fundamento (o que explica os fracassos empresariais tão comuns).

Não deixa de ser irônico o fato de que Taylor e Fayol, eram engenheiros e que a Administração, enquanto ciência aplicada, tenha nascido da engenharia. Os criadores abandonaram a própria criatura. As escolas de engenharia, de uma maneira geral, nunca deram suficiente atenção aos aspectos técnicos da administração empresarial nas atividades profissionais, por mais evidente que se torne a cada dia o fato de que as habilidades de relacionamento social são mais relevantes (determinantes) para o sucesso profissional do que as habilidades e conhecimentos técnicos (que são fatores mínimos obrigatórios e, portanto, commodities).

A maioria dos cursos de Engenharia, de Arquitetura e de Agronomia ainda jogam todas as fichas na capacitação técnica dos seus alunos. E eu não sou totalmente contrário a isso. Acho até que faz sentido. Afinal o curso é de Engenharia (ou Arquitetura ou Agronomia) e não de Administração. É razoável que o ensino se concentre em temas que digam respeito à Engenharia propriamente dita, ou seja, as questões técnicas, científicas e tecnológicas.

O erro, na minha opinião está na visão de mundo que é transmitida pelas escolas aos seus alunos. Eles passam cinco anos recebendo, de forma objetiva ou subliminar, a informação de que o conhecimento das técnicas é condição necessária e suficiente para o sucesso profissional. Aí é que está o erro! O conhecimento da técnica (ser um bom engenheiro, arquiteto ou agrônomo, do ponto de vista técnico) é sim, condição necessária. Porém, não é condição suficiente. Longe disso. A história da Engenharia no Brasil está cheia de exemplos que demonstram isso. O mais eloqüente talvez seja o do engenheiro Emílio Baumgart, um gênio da Engenharia, considerado o pai do concreto armado no Brasil e que foi, entre 1920 e 1940, um dos maiores nomes do cálculo estrutural no mundo. Mas apesar dessa qualidade técnica inquestionável, a empresa que ele fundou logo depois de se formar faliu em menos de dois anos.

O erro não está em não ensinar Administração aos estudantes de Engenharia. O erro está em não ensinar a eles que saber administrar é um pouco mais do que fundamental: é fator determinante do sucesso.

Os estudantes de Engenharia chegam à Universidade com pouca ou nenhuma disposição/paciência para qualquer disciplina que não seja matemática, física, química ou matérias de aplicação tecnológica. Eles precisam ser estimulados para dar atenção a esses assuntos. É função dos professores (ou antes, dos coordenadores dos cursos) fazê-los ver que conhecer história econômica, português, fundamentos de administração e contabilidade, noções gerais de direito e de economia não são apenas “perfumarias” do curso. São, antes, questões de vida ou morte (empresarialmente falando).

Os diretores, coordenadores e professores dos cursos de Engenharia e Arquitetura precisam se dar conta de que não estão formando apenas engenheiros ou arquitetos. Estão formando pessoas que precisam estar aptas para realizar seus sonhos de progresso e felicidade. E este objetivo está muito além da Matemática, da Física e das disciplinas técnicas.

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"A Chave"


Engº Arnaldo Santiago
 

Como participante de diversos certames licitatórios promovido tanto no Estado de Mato Grosso do Sul, como demais Estados, tenho vivenciado diversas práticas ardilosas e fraudulentas com o intuito de direcionar os objetos contratuais que versam os procedimentos de licitação e sendo uma das chaves desse molho (mais usada hoje no Mato Grosso do Sul), já pouco usada nos outros Estados, tanto nos órgãos Federais, Estaduais e Municipais, que concerne no desvirtuamento do disposto no artigo 65 da Lei 8.666/93, produzindo-se alteração contratual para ADITIVO DO PREÇO CONTRATADO, inicialmente.


 

A prática comum decorre do estreito grau de relacionamento e até trafego de influência de alguns “empreiteiros” com integrantes da administração publica, que após a fase de adjudicação do objeto do contrato quando da execução, rotineiramente esses contratos são aditivados no caso de obras 25% no caso de reforma 50%, com o fim exclusivo de recompor o preço inicial da empresa vencedora, direcionada e favorecida pelos integrantes da Administração que permitiu o “mergulho” quando da fase da Proposta que apresentou preço inferior as demais concorrentes certas de que obteria o ADITIVO, pois existe o conluio do “empresário” com os integrantes da Administração para obtenção do beneficio nas medições; os serviços nunca são negativados, ou seja, mesmo os que não foram executados entram nas medições e os aditivos são feitos de uma forma tão perfeita (no papel) que se a obra ou reforma não for acompanhada por um profissional da área fica praticamente impossível à comprovação do crime.Contudo algumas empresas públicas como a SABESP (SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO) e CTEEP (COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA), visando acabar com a referida pratica criminosa, adotou-se em seus contratos as regras “torniqui”, ou seja, não há alteração contratual com relação ao preço ajustado, mantendo-se o preço global, podendo ocorrer compensações entre serviços realizados e não realizados; e a alteração de preço ocorre somente quando de fato comprovado discutido e rediscutido, com laudos e auditorias que justificam a alteração de preço; isso nos da uma certeza que hoje no Estado de São Paulo esta chave não abre nenhum cofre.

Assim fica o ALERTA com a referida prática, de forma a impedir a dilapidação do patrimônio publico, pois se nada for feito enquanto tentamos entrar no céu com nossos próprios méritos outros tem a chave da porta lateral.

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Clientes Vampiros e Outros

Ênio Padilha
Engenheiro, escritor e palestrante.
Formado pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing Empresarial na UFPR, em 1996/97.
Escreve regularmente e seus artigos são publicados, todas as semanas, em diversos jornais do país.
eniopadilha@uol.com.br

 

Um dos maiores mitos do mundo dos negócios é o conceito de que a satisfação do cliente é a coisa mais importante a ser obtida por uma empresa. Esta concepção, aparentemente inquestionável é, na verdade, falsa. Ninguém abre uma empresa pensando, em primeiro lugar, nos interesses dos clientes. Se alguém pensa em abrir uma loja ou uma fábrica, ou uma empresa de serviços, a primeira pergunta que se faz é: “O que EU posso ganhar nesse negócio?” Ninguém pergunta, antes de qualquer outra coisa, “o que é que OS CLIENTES vão ganhar com isso?”
Portanto, vamos falar francamente. A satisfação do cliente NÃO ESTÁ em primeiro lugar. Não pode estar. Não deve. Não é inteligente.

Em primeiro (primeiríssimo lugar) estão os nossos próprios interesses. Interesses pessoais, interesses profissionais, interesses empresariais, interesses sociais, políticos... Os nossos interesses!

Mmmasss... e a satisfação do cliente? E tudo aquilo que sempre ouvimos nos cursos, nas palestras, nas entrevistas, nas conversas ? Afinal, “todo mundo sabe”: se eu der satisfação aos clientes, automaticamente eu terei todos os resultados positivos que estou procurando, certo?

Hummmmm... Não é bem assim.

 A verdade é que nem todo cliente merece a satisfação que ele deseja ter. Os empresários bem sucedidos já descobriram isso e adotam a política do merecimento, que é a seguinte: “Senhor cliente, quer ficar satisfeito? Faça por merecer”.
No conjunto dos nossos clientes existem, pelo menos, quatro tipos distintos e precisamos ficar atentos a eles: clientes Vampiros, clientes ruins, clientes bons e clientes VIP.

Cliente vampiro é, por definição, o cliente que SEMPRE dá prejuízo.

Abra-se, aqui, um parêntesis: quando falamos de “lucro” ou “prejuízo” não estamos falando apenas de dinheiro ou de vantagens materiais. Lucros são vantagens de qualquer natureza. Ganhar qualidade de vida, boas condições de trabalho ou reconhecimento profissional é também uma boa forma de obter lucro.   

Evidentemente, como ninguém é de ferro, dinheiro também é sempre muito bem-vindo. Fecha-se o parêntesis.

O cliente vampiro, portanto, além de não dar ganhos financeiros, atormenta você, faz todo tipo de exigência e pressão, reclama de tudo, menospreza e desvaloriza o seu trabalho além, é claro, de consumir um tempo insuportável em todas as etapas de decisão.

No final do processo você teve prejuízo indiscutível. Mesmo que o cliente tenha ficado satisfeito. Só ele sai ganhando nessa relação.
 

Cliente ruim é o cliente que não dá lucro (ainda que não dê prejuízo). É o famoso “empatão”. Nessa relação você fecha um negócio que pode até parecer interessante mas, no decorrer do processo, os “extras” vão se avolumando e, no final das contas, você acaba concluindo que não ganhou nada com o negócio.

Existe uma diferença crucial entre os clientes ruins e os clientes vampiros: os primeiros são o que são por força, geralmente das circunstâncias (falta de dinheiro, ignorância ou outras dificuldades externas). Já os vampiros têm TODOS uma característica em comum: são mal intencionados.

Os clientes vampiros são exploradores. Querem levar toda a vantagem o tempo todo, em todas as etapas da negociação. Não são nem um pouco generosos e não abrem mão de nenhuma migalha. São mesquinhos e egoístas. É gente do mal ! Precisamos ter distância desse tipo.

Um cliente ruim, se por acaso ganhar numa loteria, pode até se tornar um cliente muito bom. Já um cliente vampiro (que geralmente já é muito rico), se ficar mais rico, fica ainda mais explorador e insuportável.

Não tem jeito. O negócio é identificar o Vampiro e decidir, FIRMEMENTE não fazer negócios com ele.

Cliente bom é aquele que aceita a sua condição de profissional e de negociante. Em outras palavras, é aquele que aceita fazer negócios. Quer receber um produto de boa qualidade a um preço justo e adequado. Evidentemente que, mesmo sendo um cliente bom, vai pedir um desconto no preço ou fazer uma ou outra exigência. Mas o desconto solicitado será sempre razoável e as exigências são todas aceitáveis. O cliente bom reconhece os limites entre os seus direitos de cliente e a inviabilização do lucro do fornecedor. Em suma: fazer negócios com um cliente bom vale a pena.

O cliente VIP (Very Important Person) é um cliente para ser tratado como um rei. Este sim, merece esse tratamento.

Um cliente VIP é aquele que busca pelo seu trabalho, valoriza sua condição profissional, dá a você todas as condições materiais de trabalho, permite que você atue no limite da sua capacidade técnica e profissional, enche a sua bola... e ainda paga por isso!

Paga quanto? Paga o que for pedido. (Atenção: cliente VIP nunca – eu disse “nunca” – pede desconto.)

É, em resumo, o cliente dos sonhos de todo mundo.

Duas boas notícias: primeira, existem muitos clientes BONS disponíveis no mercado. Muito mais do que a maioria de nós consegue ver. E não os vemos justamente porque estamos “enrolados” em nossas pequenas tragédias cotidianas, provocadas pelos clientes ruins e os vampiros. Gastamos 80 % dos nossos recursos (tempo, dinheiro e energia) atendendo e tentando satisfazer clientes que são responsáveis por não mais de 20 % dos nossos ganhos (financeiros, pessoais, profissionais...).

Segunda: existem muito mais clientes VIP em sua volta do que você imagina. E sabe por que você não os vê ? Porque procura por eles entre os clientes ricos. Nós nos acostumamos a fazer uma associação automática entre Cliente VIP e Cliente Rico. Partimos do princípio de que ter dinheiro e estar disposto a gastá-lo torna qualquer um VIP.

Um cliente não precisa ser rico para ser VIP. Veja novamente a definição de cliente VIP, acima. Veja que em momento algum foi dito que ele precisa ser rico ou que o trabalho que você fará para ele tem de ser de grande porte.

Você mesmo, no seu dia-a-dia, deve se comportar como cliente VIP para muitos dos seus fornecedores. Examine sua própria memória, verifique quantas vezes você chama um fornecedor - um pintor, um encanador, um mecânico, um eletricista...- e se comporta exatamente como um cliente VIP.

Então, comece a prestar mais atenção nos seus clientes e você verá que (muito provavelmente) está perdendo tempo demais com clientes ruins e vampiros e que não está dando atenção merecida para os clientes bons e VIP.

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Dez coisas que aborrecem o Cliente do Engenheiro e do Arquiteto durante a negociação do serviço

Ênio Padilha
Engenheiro, escritor e palestrante.
Formado pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing Empresarial na UFPR, em 1996/97.
Escreve regularmente e seus artigos são publicados, todas as semanas, em diversos jornais do país.
eniopadilha@uol.com.br

Muitos colegas, infelizmente, comportam-se no mercado como se tivessem o claro objetivo de espantar seus próprios clientes potenciais. Muitas vezes, porém, eles não sabem o que fazem. O que parece óbvio para quem "vê de fora" não parece tão óbvio assim para quem está vivenciando os fatos.

Por isto este texto desta semana propõe uma reflexão sobre o comportamento dos profissionais durante suas negociações com seus clientes (que é a primeira das três fases do relacionamento cliente/profissional). Nas semanas seguintes apresentaremos as principais fontes de aborrecimentos para os clientes durante as fases seguintes: "durante a execução do serviço" e "depois que o serviço foi concluído".


           Boa leitura. Aproveite para mandar sua opinião sobre este artigo para o nosso site. Leia também os comentários dos demais leitores.

1. Profissional inacessível e desinteressado. Seu celular está sempre desligado. Seus e-mails nunca são respondidos. O telefone do escritório toca e ninguém atende. E se alguém atende é pra dizer que o profissional não está no escritório. Se o cliente deixa um recado, pedindo um retorno, ficará esperando em vão...

2. Profissional irresponsável, que nunca chega no horário marcado para os compromissos agendados. Não entrega orçamentos no prazo combinado, esquece compromissos... E sempre tenta aplicar uma desculpa pra lá de esfarrapada. Um profissional não-confiável.

3. Profissional arrogante, que desqualifica as preferências pessoais e conhecimentos do cliente. Que tenta demonstrar que é mais importante que o cliente.

4. Profissional inseguro, que não tem argumento para sustentar suas propostas técnicas. Que não demonstra conhecimento profundo da técnica correspondente ao trabalho proposto. Que não sabe expor nem especificar claramente o produto oferecido, nem sabe dizer quanto custa.

5. Profissional indiferente, que dá ao cliente a impressão de que existem outros clientes e outras tarefas mais importantes do que o assunto que está sendo tratado naquele momento. Que não presta atenção na conversa, nos interesses ou preferências do cliente.

6. Profissional desinformado e desorganizado, que não tem controle sobre seu trabalho. Extravia documentos, perde informações. Não tem um cronograma de suas atividades. Não sabe coisas que deveria saber sobre assuntos paralelos ao negócio tratado (como, por exemplo, uma estimativa de preço final da obra, custos com impostos e taxas, legislação aplicável...) Que apresenta orçamentos incompletos e que não dão ao cliente nenhuma garantia.

7. Profissional inflexível, que não oferece alternativas para o negócio. Que não admite alterar a forma de pagamento. Que não aceita negociar o preço. Que estabelece regras com benefícios unilaterais. Que, enfim, dá ao cliente a sensação de estar participando de um jogo no qual ele (cliente) terá que “dançar conforme a música”. Que nega ao cliente a sensação de estar no comando.

8. Profissional sem ética, que fala mal dos seus colegas concorrentes, fala mal ou ridiculariza seus ex-clientes, faz perguntas indiscretas (como, por exemplo, o preço oferecido pelo concorrente...). Que propõe ao cliente uma “jogada” desonesta.

9. Profissional chato, que dilata uma reunião simples em horas e horas de aborrecimento inútil. Que não sabe encerrar uma conversa no tempo certo. Que não sabe dar uma explicação de forma simples e concisa, detendo-se apenas nos detalhes que são importantes. Que tem uma conversa do tipo “papo-de-aranha”. Que tem assuntos superficiais, sem argumentação minimamente consistente, eivado de preconceitos e futilidades. Que tenta fechar o negócio através de pressão psicológica e sentimentalismos.

10. Profissional insensível, que não entende logo o que o cliente quer (ou precisa, ou deseja). Que tenta impor suas idéias e preferências ao cliente.

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Marketing Pessoal x Auto Promoção

Ênio Padilha
Engenheiro, escritor e palestrante.
Formado pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing Empresarial na UFPR, em 1996/97.
Escreve regularmente e seus artigos são publicados, todas as semanas, em diversos jornais do país.
eniopadilha@uol.com.br

Tem muita gente pensando que “fazer marketing pessoal” é aparecer muito. É estar em evidência. É ser visto e ser lembrado por todos, o tempo todo. E, pior, pensando que essas práticas, ensinadas em pequenos manuais de auto-ajuda, ou em palestras e cursos divertidos, podem ser a solução de todos os problemas, na busca incessante e paranóica pelo sucesso.

Mas o tal do marketing pessoal não é só estar permanentemente na vitrine. Nem é tão simples. Se fosse só isso, a solução poderia estar em pendurar uma melancia no pescoço (como fazia, no passado, um “conhecido” cantor popular) ou pintar-se de vermelho com bolinhas amarelas.

Se você quer apenas aparecer, vista-se espalhafatosamente, fale alto, agrida as pessoas, provoque um tumulto qualquer... Você vai chamar atenção, com certeza. E, quando todo mundo estiver prestando atenção em você, no que você faz e no que você diz... bom daí pra frente entram em cena outras variáveis como o talento, a criatividade, a disciplina, o caráter, os conhecimentos e as habilidades. Quanto maior o barulho que você tiver feito para aparecer, maior será a expectativa criada e maiores serão as cobranças do seu “público”.

Talvez você nunca tenha se dado conta, mas a primeira impressão não é a que fica. Ainda bem. Porque, se fosse assim, não haveria estratégia eficiente de marketing pessoal, ou seja lá o que fosse, que pudesse consertar uma primeira impressão acidentalmente ruim.

Olhe em sua volta. Veja quantas pessoas que hoje você gosta e admira e que, no primeiro contato causaram uma impressão bem negativa. E veja que o contrário também é verdadeiro.

Observe que essas pessoas alteraram a percepção que você tem delas com coisas bem mais importantes do que técnicas de “aparecer”.

Por isso é importante perceber que a autopromoção é apenas uma das etapas do marketing pessoal. É uma parte importante do processo, não resta dúvida. Mas não pode ser tomada como o objetivo em si. Uma estratégia inteligente de marketing pessoal não pode dispensar os benefícios de uma eficiente carga de autopromoção.Mas não se pode achar que apenas aparecer resolve o problema da conquista de espaços ou do sucesso.

Por mais óbvio que pareça, é preciso repetir, pela milésima vez: “não existe marketing eficiente para um produto ruim”.

Uma forte carga de autopromoção para alguém que não esteja preparado pode acelerar e tornar irreversível o seu próprio fracasso.

A autopromoção é fundamental. É uma etapa indispensável em uma boa estratégia de marketing pessoal. Porque, assim como não existe marketing eficiente para um produto ruim, também não existe um bom produto que alcance o sucesso sem uma boa dose de exposição.

Mas os interessados na mágica do marketing pessoal precisam saber que o milagre do sucesso, mesmo para pessoas muito talentosas, é sempre resultado de muito trabalho, disciplina e dedicação. E que capacidade, habilidades e conhecimentos precisam ser desenvolvidas ao limite para justificar uma eficiente carga de autopromoção.

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Ecos do Gênese


Adilson Luiz Gonçalves

Engenheiro, Professor Universitário e Articulista.
algbr@ig.com.br

Então, fez-se a luz!

 A claridade revelou um relevo rochoso entremeado por vales vítreos e estéreis. Era possível vislumbrar, aqui e ali, afloramentos disformes de metais, e formações de pedras calcinadas, regularmente espaçadas, que lembravam formações cristalinas, mas sem brilho ou transparência. Quem as olhasse de perto diria que não eram naturais...

Vegetação, rasteira, já podia ser percebida, revolvida por ventos que sobravam em todas as direções, e só se encontravam para formar imensos e arrebatadores tornados: Uma convulsão telúrica em busca da paz!

A paisagem era como uma global tela em branco: Aguardava que um artista depositasse sobre ela a harmonia de seus traços, numa obra que levaria muitos anos até ser completada. E ele estava lá: observando-a por todos os ângulos; buscando traduzir suas próprias razões e emoções; captando os sons que dela emanavam... E nem só os sons da natureza em mutação podiam ser ouvidos: havia, também, ecos de longínquos “big bangs”, de um violento e profundo caos, permeado por: dor, discórdia, inveja, arrogância, ódio... Mas, não passavam de murmúrios fenecidos, como se a mítica Caixa de Pandora houvesse recolhido seu conteúdo e se desfeito em cinzas, pulverizadas pelos ventos do passado. Só que, desta vez, ela deixou livre a esperança!

Talvez aquela obra não merecesse o tempo e dedicação que implicava. O artista, no entanto, encheu-se dessa esperança, muniu-se de todas as suas habilidades, e passou a dar-lhe os acabamentos necessários.

Em breve as nuvens se dissiparam; as cinzas que cobriam o solo, misturadas às águas menos agressivas, diluídas e apaziguadas pelo tempo, permitiram o surgimento de novas e exuberantes espécies vegetais.

Ainda levou algum tempo até que os elementos encontrassem equilíbrio, mas, finalmente, a paisagem ficou pronta, emergindo da tela, com luzes e cores!

Foi quando o artista, depois de muito pensar, resolveu esculpir duas figuras usando elementos daquela natureza... Moldou-as à sua imagem e semelhança: algo diferentes entre si, mas, complementares e indissociáveis. Retocou-as com um carinho renovado e, por fim, soprou sobre elas, para tirar-lhes o pó. Como por encanto, elas adquiriram vida e olharam, deslumbradas, tudo o que havia a sua volta. Sentiram-se imensamente felizes, mas, ao ouvirem os ecos do passado seus rostos se anuviaram, e lembranças milenares afloraram em suas mentes: imagens de povos divididos pelas fronteiras da ganância; oprimidos pela força dos preconceitos; dizimados por guerras sem sentido: sedentos, famintos e amedrontados. Depois tiveram a visão dos mil sóis de um holocausto nuclear, e sensações de dor, fraqueza e impotência, para as quais não havia cura... Eram, apenas, lembranças; mas, tão fortes e nauseantes, que eles tentaram cobrir os olhos com as mãos. Ao vê-las, no entanto, viram que delas vertia sangue: o sangue de uma humanidade ancestral!

Tudo isso ocorreu num átimo, e logo o sangue desapareceu e eles voltaram a ver a belíssima paisagem que os envolvia. Ainda aturdidos, mas, agora, tomados da mesma esperança de amor e paz, aquele homem e aquela mulher olharam para o divino artista...

Este, que lhes havia mostrado todas aquelas imagens de um passado dividido por limites e preconceitos, e autodestruído por conflitos insanos; sorriu, benevolente; abençoou-os e disse, com doçura: “Vão para onde quiserem, livres e em paz! Amem-se, e façam desse amor uma ponte para transpor todas as fronteiras!”. Depois, suspirando, concluiu: “Só não destruam tudo de novo!”.

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A Vida Após o "Caixa 2"


Adilson Luiz Gonçalves

Engenheiro, Professor Universitário e Articulista.
algbr@ig.com.br

A história mostra que a corrupção é irmã gêmea da sonegação, e ambas são filhas do casamento do mau-caráter com a burocracia. Isso quer dizer que, se estivéssemos sob um regime fundamentalista islâmico, a maioria de nossos políticos e empresários se cumprimentaria com um singelo: "Olá!", impossibilitados, que estariam, de apertar as mãos... E há quem diga que isso é uma "tradição" brasileira...

Mas, no caso específico da sonegação, há os que a praticam "por esporte", com apoio especializado; enquanto outros o fazem como recurso extremo para sobreviver, ou subsistir, num mercado assolado por uma carga tributária escorchante e uma burocracia labiríntica. Não é à toa que o universo político-empresarial é recheado de "facilitadores", "despachantes" e "lobistas". Afinal, tudo o que é excessivamente complexo, desnecessariamente burocrático e propositalmente misterioso se presta, com certeza, a manipulações.

"Mas os países desenvolvidos também têm tributações elevadas!". Sim, mas devolvem os impostos sob forma de serviços públicos de qualidade, e de apoio operacional e logístico aos empresários.

"O "Caixa 2" e a corrupção também existem entre os grandes!". Sem dúvida!

Outra coisa comum a todos os países é a forma de combatê-los: fiscalização! Mas quando ela falha: insuficiente, incompetente ou conivente; só os governos simplórios ou insensíveis optam, imediatamente, por onerar toda a sociedade, com novos impostos, taxas ou majoração de alíquotas dos existentes. Para aumentar a indignação dos que primam pela correção, ainda oferecem financiamentos públicos e anistias para os "espertos". Com isso, o empresário honesto tende à frustração: desiste de investir, demite ou apela para a ilegalidade. Para o elo mais fraco dessa corrente, o desempregado, sobra a informalidade, a contravenção, ou coisa pior...

Mas o que dizer quando o "Caixa 2", privado, financia o "Caixa 2", de partidos políticos? Ou quando qualquer "Caixa 2" compra o apoio de um parlamentar, uma licitação pública ou uma sentença judicial? O indivíduo que aceita isso terá isenção para legislar, governar ou julgar?

Aí, quando estoura um escândalo, e o descrédito na classe política atinge níveis estratosféricos, sempre volta o mesmo discurso: "É preciso reformar!".

A reforma política e o financiamento público de campanhas resolveriam isso? Eliminariam o "Caixa 2" de partidos políticos e empresas privadas? Talvez sim, talvez não...

A nova "Lei de Falências" deu um alento para a tentativa de recuperação de empresas, enquanto a MP 255 acena com algumas vantagens para os pequenos empresários. Mas é preciso muito mais que isso! Uma substancial redução da carga tributária não seria compensada por um aumento significativo da arrecadação? O mesmo não valeria para a flexibilização do crédito e a diminuição da taxa de juros?

Isso é bem viável, pois os governantes sabem que a maioria do povo brasileiro é honesta, e que grande parte dos que vivem na informalidade ou ilegalidade fiscal o fazem, circunstancialmente, para sobreviver na "Lei da Selva" da tributação, oficial; da corrupção, oficiosa; da disputa pelo poder, odiosa; e da falta de sensibilidade dos que exercem os três poderes!

Realmente, precisamos de reformas: A primeira delas, com certeza, de consciência, o que dispensa comissões e votações em plenário.

É certo que, infelizmente, não há inocência, nem no mercado, nem na política; pois, que haja, ao menos, um mínimo de honestidade, probidade e respeito à sociedade! Que essa seja a nova tradição!

 

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