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EngWhere

Seu amigo o peão
de obra
Engº Amado Gabriel
da Silva
Não venha com esta gabarolice
que peões são como crianças grandes... Peão de obra não é
criança e nem tão crescido assim. Está mais é para o
sertanejo, de Euclides da Cunha, também construtor, é antes de
tudo um forte. E pode ser, como aquele, bruto e meigo e,
apesar da coragem, acreditar em assombração.
Mesmo subalimentado é alegre, cordial e respeitador, e sem
dinheiro no bolso é bom companheiro, amigo e humilde. Se você,
Engenheiro de Obra, é dos que não conseguem se compadecer ou
se desvencilhar dos preconceitos contra os menos favorecidos
pela sorte, errou na escolha da profissão.
Principalmente trate-o
com respeito. Todo relacionamento exige isto. Se você o tratar
como "bicho", ele responderá com a única reação possível:
portando-se como um bicho. Se o agradar, terá um amigo para
todas as horas.
Ele chegou à obra cedo.
Bem antes das 7 estava na fila do ponto. Trabalhou pesado e
merece um almoço decente. Capriche em sua refeição. Não há
nada que o irrite tanto quanto uma refeição inadequada.
Descubra seus gostos. Lembre-se que não há obra bem tocada se
o refeitório estiver desagradando.
Ouça-o e oriente-se com suas
críticas. Não há mais sinceras e precisas.
Principalmente se direcionadas à sua própria administração.
Mais que qualquer outro funcionário da empresa estará ele
sabendo sobre a produtividade da obra, que lhe é filtrada do
próprio suor.
Os resultados da obra, aliás,
não só dependem mas são méritos dele. Faça-o enxergar isto.
Impressione-o com
camaradagens e humor. O elogio, como a nenhum outro indivíduo,
cai-lhe como uma benção. Seja mesmo astucioso. Nesta relação
de trabalho ele nunca irá perceber que entre os dois, quem
mais precisa do outro é você.
Não o amedronte usando
sua condição de chefe e nunca lhe dê ordens diretas,
atravessando seu organograma.
Saiba que a
firmeza, a liderança, o humor e o caráter do chefe da obra,
estão entre as notícias que mais se espalham, e sempre em
manchete nas rádios-peões.
Não se faça
de ocupado para impressioná-lo. Retribua-lhe seus bons-dias.
Afinal você está em campo, num local de trabalho arejado, de
respeito e educação, e não em um mofado escritório na Avenida
Paulista.
O
trabalho é pesado, mas não lhe negue. Não há mais impróprio
lugar para rixas e picuinhas que em uma obra. Se quer ser
admirado, não aceite bajuladores em sua sala.
Preocupe-se em lhe dar condições seguras de trabalho e
cientificar-lhe disto.
Jamais tenha medo do peão, até porque ele não é de briga e não
morde. Além de ofendê-lo gravemente, você perderá autoridade e
respeito. Neste caso o insucesso da obra, e o seu, serão
iminentes.
Sobretudo goste do peão. Ele é parte significativa de seu
ofício e faz por merecer. Sua companhia é agradabilíssima, seu
humor irresistível, e está dispondo-se, em troca de algum
reconhecimento pelo seu trabalho, a admirá-lo.
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O Buraco é Mais em Cima
Ênio
Padilha
Engenheiro, escritor e palestrante.
Formado pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing Empresarial
na UFPR, em 1996/97.
Escreve regularmente e seus artigos são publicados, todas as
semanas, em diversos jornais do país.
eniopadilha@uol.com.br
Há muito tempo que essa constatação me incomoda. Na verdade, quem
leu meu primeiro livro (Marketing para Engenharia, Arquitetura e
Agronomia) deve ter visto, já na primeira edição de 1998, no último
capítulo, algo a respeito. O assunto foi abordado em todas as
edições seguintes e na última (a quinta) de forma bastante
explícita.
Tem alguma coisa errada
com essa afirmação de que o marketing é uma coisa capaz de
solucionar os problemas mercadológicos dos engenheiros e arquitetos.
O marketing não tem essa capacidade porque ele não consegue se
aplicar a empresas sem que haja uma base na qual ele possa se
sustentar. Essa base se chama Administração.
Então o
problema (ou a solução) não está no marketing. Está um pouco mais
acima: na administração.
As empresas de
Engenharia, de Arquitetura e de Agronomia são mal administradas. Os
profissionais desconhecem aspectos primários das Teorias de
Administração e das Teorias Organizacionais. Desconhecem Marx, Webber, Taylor, Fayol, Elton Mayo e as coisas que decorrem do que
esses pensadores estudaram. Com isso, estamos administrando nossas
empresas na base do chute. Com práticas gerenciais tiradas do senso
comum, muitas vezes sem nenhum fundamento (o que explica os
fracassos empresariais tão comuns).
Não deixa de
ser irônico o fato de que Taylor e Fayol, eram engenheiros e que a
Administração, enquanto ciência aplicada, tenha nascido da
engenharia. Os criadores abandonaram a própria criatura. As escolas
de engenharia, de uma maneira geral, nunca deram suficiente atenção
aos aspectos técnicos da administração empresarial nas atividades
profissionais, por mais evidente que se torne a cada dia o fato de
que as habilidades de relacionamento social são mais relevantes
(determinantes) para o sucesso profissional do que as habilidades e
conhecimentos técnicos (que são fatores mínimos obrigatórios e,
portanto, commodities).
A maioria dos
cursos de Engenharia, de Arquitetura e de Agronomia ainda jogam
todas as fichas na capacitação técnica dos seus alunos. E eu não sou
totalmente contrário a isso. Acho até que faz sentido. Afinal o
curso é de Engenharia (ou Arquitetura ou Agronomia) e não de
Administração. É razoável que o ensino se concentre em temas que
digam respeito à Engenharia propriamente dita, ou seja, as questões
técnicas, científicas e tecnológicas.
O erro,
na minha opinião está na visão de mundo que é transmitida pelas
escolas aos seus alunos. Eles passam cinco anos recebendo, de forma
objetiva ou subliminar, a informação de que o conhecimento das
técnicas é condição necessária e suficiente para o sucesso
profissional. Aí é que está o erro! O conhecimento da técnica (ser
um bom engenheiro, arquiteto ou agrônomo, do ponto de vista técnico)
é sim, condição necessária. Porém, não é condição suficiente. Longe
disso. A história da Engenharia no Brasil está cheia de exemplos que
demonstram isso. O mais eloqüente talvez seja o do engenheiro Emílio Baumgart, um gênio da Engenharia, considerado o pai do concreto
armado no Brasil e que foi, entre 1920 e 1940, um dos maiores nomes
do cálculo estrutural no mundo. Mas apesar dessa qualidade técnica
inquestionável, a empresa que ele fundou logo depois de se formar
faliu em menos de dois anos.
O erro não
está em não ensinar Administração aos estudantes de Engenharia. O
erro está em não ensinar a eles que saber administrar é um pouco
mais do que fundamental: é fator determinante do sucesso.
Os
estudantes de Engenharia chegam à Universidade com pouca ou nenhuma
disposição/paciência para qualquer disciplina que não seja
matemática, física, química ou matérias de aplicação tecnológica.
Eles precisam ser estimulados para dar atenção a esses assuntos. É
função dos professores (ou antes, dos coordenadores dos cursos)
fazê-los ver que conhecer história econômica, português, fundamentos
de administração e contabilidade, noções gerais de direito e de
economia não são apenas “perfumarias” do curso. São, antes, questões
de vida ou morte (empresarialmente falando).
Os diretores, coordenadores e professores dos cursos de Engenharia e
Arquitetura precisam se dar conta de que não estão formando apenas
engenheiros ou arquitetos. Estão formando pessoas que precisam estar
aptas para realizar seus sonhos de progresso e felicidade. E este
objetivo está muito além da Matemática, da Física e das disciplinas
técnicas.
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"A Chave"
Engº Arnaldo Santiago
Como
participante de diversos certames licitatórios promovido tanto no
Estado de Mato Grosso do Sul, como demais Estados, tenho vivenciado
diversas práticas ardilosas e fraudulentas com o intuito de
direcionar os objetos contratuais que versam os procedimentos de
licitação e sendo uma das chaves desse molho (mais usada hoje no
Mato Grosso do Sul), já pouco usada nos outros Estados, tanto nos
órgãos Federais, Estaduais e Municipais, que concerne no
desvirtuamento do disposto no artigo 65 da Lei 8.666/93,
produzindo-se alteração contratual para ADITIVO DO PREÇO CONTRATADO,
inicialmente.
A prática comum decorre do estreito grau de relacionamento e até
trafego de influência de alguns “empreiteiros” com integrantes da
administração publica, que após a fase de adjudicação do objeto do
contrato quando da execução, rotineiramente esses contratos são aditivados no caso de obras 25% no caso de reforma 50%, com o fim
exclusivo de recompor o preço inicial da empresa vencedora,
direcionada e favorecida pelos integrantes da Administração que
permitiu o “mergulho” quando da fase da Proposta que apresentou
preço inferior as demais concorrentes certas de que obteria o
ADITIVO, pois existe o conluio do “empresário” com os integrantes da
Administração para obtenção do beneficio nas medições; os serviços
nunca são negativados, ou seja, mesmo os que não foram executados
entram nas medições e os aditivos são feitos de uma forma tão
perfeita (no papel) que se a obra ou reforma não for acompanhada por
um profissional da área fica praticamente impossível à comprovação
do crime.Contudo algumas empresas públicas como a SABESP (SANEAMENTO BÁSICO
DO ESTADO DE SÃO PAULO) e CTEEP (COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA PAULISTA), visando acabar com a referida pratica criminosa,
adotou-se em seus contratos as regras “torniqui”, ou seja, não há
alteração contratual com relação ao preço ajustado, mantendo-se o
preço global, podendo ocorrer compensações entre serviços realizados
e não realizados; e a alteração de preço ocorre somente quando de
fato comprovado discutido e rediscutido, com laudos e auditorias que
justificam a alteração de preço; isso nos da uma certeza que hoje no
Estado de São Paulo esta chave não abre nenhum cofre.
Assim fica o ALERTA com a referida prática, de forma a impedir a
dilapidação do patrimônio publico, pois se nada for feito enquanto
tentamos entrar no céu com nossos próprios méritos outros tem a
chave da porta lateral.
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Clientes Vampiros e Outros
Ênio Padilha
Engenheiro, escritor e palestrante.
Formado pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing
Empresarial na UFPR, em 1996/97.
Escreve regularmente e seus artigos são publicados, todas as
semanas, em diversos jornais do país.
eniopadilha@uol.com.br
Um dos maiores mitos do
mundo dos negócios é o conceito de que a satisfação do cliente
é a coisa mais importante a ser obtida por uma empresa. Esta
concepção, aparentemente inquestionável é, na verdade, falsa.
Ninguém abre uma empresa pensando, em primeiro lugar, nos
interesses dos clientes. Se alguém pensa em abrir uma loja ou
uma fábrica, ou uma empresa de serviços, a primeira pergunta
que se faz é: “O que EU posso ganhar nesse negócio?” Ninguém
pergunta, antes de qualquer outra coisa, “o que é que OS
CLIENTES vão ganhar com isso?”
Portanto, vamos falar francamente. A satisfação do cliente NÃO
ESTÁ em primeiro lugar. Não pode estar. Não deve. Não é
inteligente.
Em primeiro (primeiríssimo
lugar) estão os nossos próprios interesses. Interesses
pessoais, interesses profissionais, interesses empresariais,
interesses sociais, políticos... Os nossos interesses!
Mmmasss... e
a satisfação do cliente? E tudo aquilo que sempre ouvimos nos
cursos, nas palestras, nas entrevistas, nas conversas ?
Afinal, “todo mundo sabe”: se eu der satisfação aos clientes,
automaticamente eu terei todos os resultados positivos que
estou procurando, certo?
Hummmmm...
Não é bem assim.
A verdade é que nem
todo cliente merece a satisfação que ele deseja ter. Os
empresários bem sucedidos já descobriram isso e adotam a
política do merecimento, que é a seguinte: “Senhor cliente,
quer ficar satisfeito? Faça por merecer”.
No conjunto dos nossos clientes existem, pelo menos, quatro
tipos distintos e precisamos ficar atentos a eles: clientes
Vampiros, clientes ruins, clientes bons e clientes VIP.
Cliente vampiro é,
por definição, o cliente que SEMPRE dá prejuízo.
Abra-se, aqui, um parêntesis: quando falamos de “lucro” ou
“prejuízo” não estamos falando apenas de dinheiro ou de
vantagens materiais. Lucros são vantagens de qualquer
natureza. Ganhar qualidade de vida, boas condições de trabalho
ou reconhecimento profissional é também uma boa forma de obter
lucro.
Evidentemente, como ninguém é de ferro, dinheiro também é
sempre muito bem-vindo. Fecha-se o parêntesis.
O cliente vampiro,
portanto, além de não dar ganhos financeiros, atormenta você,
faz todo tipo de exigência e pressão, reclama de tudo,
menospreza e desvaloriza o seu trabalho além, é claro, de
consumir um tempo insuportável em todas as etapas de decisão.
No final do processo você teve prejuízo indiscutível. Mesmo
que o cliente tenha ficado satisfeito. Só ele sai ganhando
nessa relação.
Cliente ruim
é o cliente que não dá lucro (ainda que não dê prejuízo). É o
famoso “empatão”. Nessa relação você fecha um negócio que pode
até parecer interessante mas, no decorrer do processo, os
“extras” vão se avolumando e, no final das contas, você acaba
concluindo que não ganhou nada com o negócio.
Existe uma diferença crucial entre os clientes ruins e os
clientes vampiros: os primeiros são o que são por força,
geralmente das circunstâncias (falta de dinheiro, ignorância
ou outras dificuldades externas). Já os vampiros têm TODOS uma
característica em comum: são mal intencionados.
Os clientes
vampiros são exploradores. Querem levar toda a vantagem o
tempo todo, em todas as etapas da negociação. Não são nem um
pouco generosos e não abrem mão de nenhuma migalha. São
mesquinhos e egoístas. É gente do mal ! Precisamos ter
distância desse tipo.
Um cliente
ruim, se por acaso ganhar numa loteria, pode até se tornar um
cliente muito bom. Já um cliente vampiro (que geralmente já é
muito rico), se ficar mais rico, fica ainda mais explorador e
insuportável.
Não tem
jeito. O negócio é identificar o Vampiro e decidir, FIRMEMENTE
não fazer negócios com ele.
Cliente bom é aquele que aceita
a sua condição de profissional e de negociante. Em outras
palavras, é aquele que aceita fazer negócios. Quer receber um
produto de boa qualidade a um preço justo e adequado.
Evidentemente que, mesmo sendo um cliente bom, vai pedir um
desconto no preço ou fazer uma ou outra exigência. Mas o
desconto solicitado será sempre razoável e as exigências são
todas aceitáveis. O cliente bom reconhece os limites entre os
seus direitos de cliente e a inviabilização do lucro do
fornecedor. Em suma: fazer negócios com um cliente bom vale a
pena.
O cliente VIP
(Very Important Person) é um cliente para ser tratado como um
rei. Este sim, merece esse tratamento.
Um cliente VIP é aquele que busca pelo seu trabalho, valoriza
sua condição profissional, dá a você todas as condições
materiais de trabalho, permite que você atue no limite da sua
capacidade técnica e profissional, enche a sua bola... e ainda
paga por isso!
Paga quanto?
Paga o que for pedido. (Atenção: cliente VIP nunca – eu disse
“nunca” – pede desconto.)
É, em resumo, o
cliente dos sonhos de todo mundo.
Duas boas notícias:
primeira, existem muitos clientes BONS disponíveis no mercado.
Muito mais do que a maioria de nós consegue ver. E não os
vemos justamente porque estamos “enrolados” em nossas pequenas
tragédias cotidianas, provocadas pelos clientes ruins e os
vampiros. Gastamos 80 % dos nossos recursos (tempo, dinheiro e
energia) atendendo e tentando satisfazer clientes que são
responsáveis por não mais de 20 % dos nossos ganhos
(financeiros, pessoais, profissionais...).
Segunda: existem muito
mais clientes VIP em sua volta do que você imagina. E sabe por
que você não os vê ? Porque procura por eles entre os clientes
ricos. Nós nos acostumamos a fazer uma associação automática
entre Cliente VIP e Cliente Rico. Partimos do princípio de que
ter dinheiro e estar disposto a gastá-lo torna qualquer um
VIP.
Um cliente não
precisa ser rico para ser VIP. Veja novamente a definição de
cliente VIP, acima. Veja que em momento algum foi dito que ele
precisa ser rico ou que o trabalho que você fará para ele tem
de ser de grande porte.
Você mesmo, no seu
dia-a-dia, deve se comportar como cliente VIP para muitos dos
seus fornecedores. Examine sua própria memória, verifique
quantas vezes você chama um fornecedor - um pintor, um
encanador, um mecânico, um eletricista...- e se comporta
exatamente como um cliente VIP.
Então, comece a prestar
mais atenção nos seus clientes e você verá que (muito
provavelmente) está perdendo tempo demais com clientes ruins e
vampiros e que não está dando atenção merecida para os
clientes bons e VIP.
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Dez coisas que aborrecem o Cliente do
Engenheiro e do Arquiteto durante a negociação do serviço
Ênio Padilha
Engenheiro, escritor e palestrante.
Formado pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing
Empresarial na UFPR, em 1996/97.
Escreve regularmente e seus artigos são publicados, todas as
semanas, em diversos jornais do país.
eniopadilha@uol.com.br
Muitos colegas, infelizmente, comportam-se no
mercado como se tivessem o claro objetivo de espantar seus
próprios clientes potenciais. Muitas vezes, porém, eles não
sabem o que fazem. O que parece óbvio para quem "vê de fora"
não parece tão óbvio assim para quem está vivenciando os
fatos.
Por isto este texto desta
semana propõe uma reflexão sobre o comportamento dos
profissionais durante suas negociações com seus clientes (que
é a primeira das três fases do relacionamento
cliente/profissional). Nas semanas seguintes apresentaremos as
principais fontes de aborrecimentos para os clientes durante
as fases seguintes: "durante a execução do serviço" e "depois
que o serviço foi concluído".
Boa leitura. Aproveite
para mandar sua opinião sobre este artigo para o nosso site.
Leia também os comentários dos demais leitores.
1. Profissional inacessível e desinteressado. Seu celular
está sempre desligado. Seus e-mails nunca são respondidos. O
telefone do escritório toca e ninguém atende. E se alguém
atende é pra dizer que o profissional não está no escritório.
Se o cliente deixa um recado, pedindo um retorno, ficará
esperando em vão...
2. Profissional irresponsável, que nunca chega no horário
marcado para os compromissos agendados. Não entrega orçamentos
no prazo combinado, esquece compromissos... E sempre tenta
aplicar uma desculpa pra lá de esfarrapada. Um profissional
não-confiável.
3. Profissional arrogante, que desqualifica as preferências
pessoais e conhecimentos do cliente. Que tenta demonstrar que
é mais importante que o cliente.
4. Profissional inseguro, que não tem argumento para sustentar
suas propostas técnicas. Que não demonstra conhecimento
profundo da técnica correspondente ao trabalho proposto. Que
não sabe expor nem especificar claramente o produto oferecido,
nem sabe dizer quanto custa.
5. Profissional indiferente, que dá ao cliente a impressão de
que existem outros clientes e outras tarefas mais importantes
do que o assunto que está sendo tratado naquele momento. Que
não presta atenção na conversa, nos interesses ou preferências
do cliente.
6. Profissional desinformado e desorganizado, que não tem
controle sobre seu trabalho. Extravia documentos, perde
informações. Não tem um cronograma de suas atividades. Não
sabe coisas que deveria saber sobre assuntos paralelos ao
negócio tratado (como, por exemplo, uma estimativa de preço
final da obra, custos com impostos e taxas, legislação
aplicável...) Que apresenta orçamentos incompletos e que não
dão ao cliente nenhuma garantia.
7. Profissional inflexível, que não oferece alternativas para
o negócio. Que não admite alterar a forma de pagamento. Que
não aceita negociar o preço. Que estabelece regras com
benefícios unilaterais. Que, enfim, dá ao cliente a sensação
de estar participando de um jogo no qual ele (cliente) terá
que “dançar conforme a música”. Que nega ao cliente a sensação
de estar no comando.
8. Profissional sem ética, que fala mal dos seus colegas
concorrentes, fala mal ou ridiculariza seus ex-clientes, faz
perguntas indiscretas (como, por exemplo, o preço oferecido
pelo concorrente...). Que propõe ao cliente uma “jogada”
desonesta.
9. Profissional chato, que dilata uma reunião simples em horas
e horas de aborrecimento inútil. Que não sabe encerrar uma
conversa no tempo certo. Que não sabe dar uma explicação de
forma simples e concisa, detendo-se apenas nos detalhes que
são importantes. Que tem uma conversa do tipo
“papo-de-aranha”. Que tem assuntos superficiais, sem
argumentação minimamente consistente, eivado de preconceitos e
futilidades. Que tenta fechar o negócio através de pressão
psicológica e sentimentalismos.
10. Profissional insensível, que não entende logo o que o
cliente quer (ou precisa, ou deseja). Que tenta impor suas
idéias e preferências ao cliente.
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Marketing Pessoal x Auto Promoção
Ênio Padilha
Engenheiro, escritor e palestrante.
Formado pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing
Empresarial na UFPR, em 1996/97.
Escreve regularmente e seus artigos são publicados, todas as
semanas, em diversos jornais do país.
eniopadilha@uol.com.br
Tem muita
gente pensando que “fazer marketing pessoal” é aparecer muito.
É estar em evidência. É ser visto e ser lembrado por todos, o
tempo todo. E, pior, pensando que essas práticas, ensinadas em
pequenos manuais de auto-ajuda, ou em palestras e cursos
divertidos, podem ser a solução de todos os problemas, na
busca incessante e paranóica pelo sucesso.
Mas o tal do marketing
pessoal não é só estar permanentemente na vitrine. Nem é tão
simples. Se fosse só isso, a solução poderia estar em pendurar
uma melancia no pescoço (como fazia, no passado, um
“conhecido” cantor popular) ou pintar-se de vermelho com
bolinhas amarelas.
Se você quer apenas
aparecer, vista-se espalhafatosamente, fale alto, agrida as
pessoas, provoque um tumulto qualquer... Você vai chamar
atenção, com certeza. E, quando todo mundo estiver prestando
atenção em você, no que você faz e no que você diz... bom daí
pra frente entram em cena outras variáveis como o talento, a
criatividade, a disciplina, o caráter, os conhecimentos e as
habilidades. Quanto maior o barulho que você tiver feito para
aparecer, maior será a expectativa criada e maiores serão as
cobranças do seu “público”.
Talvez você nunca tenha se
dado conta, mas a primeira impressão não é a que fica. Ainda
bem. Porque, se fosse assim, não haveria estratégia eficiente
de marketing pessoal, ou seja lá o que fosse, que pudesse
consertar uma primeira impressão acidentalmente ruim.
Olhe em sua volta. Veja
quantas pessoas que hoje você gosta e admira e que, no
primeiro contato causaram uma impressão bem negativa. E veja
que o contrário também é verdadeiro.
Observe que essas pessoas
alteraram a percepção que você tem delas com coisas bem mais
importantes do que técnicas de “aparecer”.
Por isso é importante
perceber que a autopromoção é apenas uma das etapas do
marketing pessoal. É uma parte importante do processo, não
resta dúvida. Mas não pode ser tomada como o objetivo em si.
Uma estratégia inteligente de marketing pessoal não pode
dispensar os benefícios de uma eficiente carga de
autopromoção.Mas não se pode achar que apenas aparecer resolve
o problema da conquista de espaços ou do sucesso.
Por mais óbvio que pareça,
é preciso repetir, pela milésima vez: “não existe marketing
eficiente para um produto ruim”.
Uma forte carga de
autopromoção para alguém que não esteja preparado pode
acelerar e tornar irreversível o seu próprio fracasso.
A autopromoção é
fundamental. É uma etapa indispensável em uma boa estratégia
de marketing pessoal. Porque, assim como não existe marketing
eficiente para um produto ruim, também não existe um bom
produto que alcance o sucesso sem uma boa dose de exposição.
Mas os interessados na
mágica do marketing pessoal precisam saber que o milagre do
sucesso, mesmo para pessoas muito talentosas, é sempre
resultado de muito trabalho, disciplina e dedicação. E que
capacidade, habilidades e conhecimentos precisam ser
desenvolvidas ao limite para justificar uma eficiente carga de
autopromoção.
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Ecos do Gênese
Adilson Luiz Gonçalves
Engenheiro, Professor Universitário e Articulista.
algbr@ig.com.br
Então,
fez-se a luz!
A claridade revelou um
relevo rochoso entremeado por vales vítreos e estéreis. Era
possível vislumbrar, aqui e ali, afloramentos disformes de
metais, e formações de pedras calcinadas, regularmente
espaçadas, que lembravam formações cristalinas, mas sem brilho
ou transparência. Quem as olhasse de perto diria que não eram
naturais...
Vegetação, rasteira, já
podia ser percebida, revolvida por ventos que sobravam em
todas as direções, e só se encontravam para formar imensos e
arrebatadores tornados: Uma convulsão telúrica em busca da
paz!
A paisagem era como uma
global tela em branco: Aguardava que um artista depositasse
sobre ela a harmonia de seus traços, numa obra que levaria
muitos anos até ser completada. E ele estava lá: observando-a
por todos os ângulos; buscando traduzir suas próprias razões e
emoções; captando os sons que dela emanavam... E nem só os
sons da natureza em mutação podiam ser ouvidos: havia, também,
ecos de longínquos “big bangs”, de um violento e profundo
caos, permeado por: dor, discórdia, inveja, arrogância,
ódio... Mas, não passavam de murmúrios fenecidos, como se a
mítica Caixa de Pandora houvesse recolhido seu conteúdo e se
desfeito em cinzas, pulverizadas pelos ventos do passado. Só
que, desta vez, ela deixou livre a esperança!
Talvez aquela obra não
merecesse o tempo e dedicação que implicava. O artista, no
entanto, encheu-se dessa esperança, muniu-se de todas as suas
habilidades, e passou a dar-lhe os acabamentos necessários.
Em breve as nuvens se
dissiparam; as cinzas que cobriam o solo, misturadas às águas
menos agressivas, diluídas e apaziguadas pelo tempo,
permitiram o surgimento de novas e exuberantes espécies
vegetais.
Ainda levou algum tempo até
que os elementos encontrassem equilíbrio, mas, finalmente, a
paisagem ficou pronta, emergindo da tela, com luzes e cores!
Foi quando o artista,
depois de muito pensar, resolveu esculpir duas figuras usando
elementos daquela natureza... Moldou-as à sua imagem e
semelhança: algo diferentes entre si, mas, complementares e
indissociáveis. Retocou-as com um carinho renovado e, por fim,
soprou sobre elas, para tirar-lhes o pó. Como por encanto,
elas adquiriram vida e olharam, deslumbradas, tudo o que havia
a sua volta. Sentiram-se imensamente felizes, mas, ao ouvirem
os ecos do passado seus rostos se anuviaram, e lembranças
milenares afloraram em suas mentes: imagens de povos divididos
pelas fronteiras da ganância; oprimidos pela força dos
preconceitos; dizimados por guerras sem sentido: sedentos,
famintos e amedrontados. Depois tiveram a visão dos mil sóis
de um holocausto nuclear, e sensações de dor, fraqueza e
impotência, para as quais não havia cura... Eram, apenas,
lembranças; mas, tão fortes e nauseantes, que eles tentaram
cobrir os olhos com as mãos. Ao vê-las, no entanto, viram que
delas vertia sangue: o sangue de uma humanidade ancestral!
Tudo isso ocorreu num
átimo, e logo o sangue desapareceu e eles voltaram a ver a
belíssima paisagem que os envolvia. Ainda aturdidos, mas,
agora, tomados da mesma esperança de amor e paz, aquele homem
e aquela mulher olharam para o divino artista...
Este, que lhes havia
mostrado todas aquelas imagens de um passado dividido por
limites e preconceitos, e autodestruído por conflitos insanos;
sorriu, benevolente; abençoou-os e disse, com doçura: “Vão
para onde quiserem, livres e em paz! Amem-se, e façam desse
amor uma ponte para transpor todas as fronteiras!”. Depois,
suspirando, concluiu: “Só não destruam tudo de novo!”.
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A Vida Após o "Caixa 2"
Adilson Luiz Gonçalves
Engenheiro, Professor Universitário e Articulista.
algbr@ig.com.br
A história mostra que a corrupção é irmã gêmea da
sonegação, e ambas são filhas do casamento do mau-caráter com
a burocracia. Isso quer dizer que, se estivéssemos sob um
regime fundamentalista islâmico, a maioria de nossos políticos
e empresários se cumprimentaria com um singelo: "Olá!",
impossibilitados, que estariam, de apertar as mãos... E há
quem diga que isso é uma "tradição" brasileira...
Mas, no caso específico da sonegação, há os que a praticam
"por esporte", com apoio especializado; enquanto outros o
fazem como recurso extremo para sobreviver, ou subsistir, num
mercado assolado por uma carga tributária escorchante e uma
burocracia labiríntica. Não é à toa que o universo
político-empresarial é recheado de "facilitadores",
"despachantes" e "lobistas". Afinal, tudo o que é
excessivamente complexo, desnecessariamente burocrático e
propositalmente misterioso se presta, com certeza, a
manipulações.
"Mas os países desenvolvidos também têm tributações
elevadas!". Sim, mas devolvem os impostos sob forma de
serviços públicos de qualidade, e de apoio operacional e
logístico aos empresários.
"O "Caixa 2" e a corrupção também existem entre os
grandes!". Sem dúvida!
Outra coisa comum a todos os países é a forma de
combatê-los: fiscalização! Mas quando ela falha: insuficiente,
incompetente ou conivente; só os governos simplórios ou
insensíveis optam, imediatamente, por onerar toda a sociedade,
com novos impostos, taxas ou majoração de alíquotas dos
existentes. Para aumentar a indignação dos que primam pela
correção, ainda oferecem financiamentos públicos e anistias
para os "espertos". Com isso, o empresário honesto tende à
frustração: desiste de investir, demite ou apela para a
ilegalidade. Para o elo mais fraco dessa corrente, o
desempregado, sobra a informalidade, a contravenção, ou coisa
pior...
Mas o que dizer quando o "Caixa 2", privado, financia o
"Caixa 2", de partidos políticos? Ou quando qualquer "Caixa 2"
compra o apoio de um parlamentar, uma licitação pública ou uma
sentença judicial? O indivíduo que aceita isso terá isenção
para legislar, governar ou julgar?
Aí, quando estoura um escândalo, e o descrédito na classe
política atinge níveis estratosféricos, sempre volta o mesmo
discurso: "É preciso reformar!".
A reforma política e o financiamento público de campanhas
resolveriam isso? Eliminariam o "Caixa 2" de partidos
políticos e empresas privadas? Talvez sim, talvez não...
A nova "Lei de Falências" deu um alento para a tentativa de
recuperação de empresas, enquanto a MP 255 acena com algumas
vantagens para os pequenos empresários. Mas é preciso muito
mais que isso! Uma substancial redução da carga tributária não
seria compensada por um aumento significativo da arrecadação?
O mesmo não valeria para a flexibilização do crédito e a
diminuição da taxa de juros?
Isso é bem viável, pois os governantes sabem que a maioria
do povo brasileiro é honesta, e que grande parte dos que vivem
na informalidade ou ilegalidade fiscal o fazem,
circunstancialmente, para sobreviver na "Lei da Selva" da
tributação, oficial; da corrupção, oficiosa; da disputa pelo
poder, odiosa; e da falta de sensibilidade dos que exercem os
três poderes!
Realmente, precisamos de reformas: A primeira delas, com
certeza, de consciência, o que dispensa comissões e votações
em plenário.
É certo que, infelizmente, não há inocência, nem no
mercado, nem na política; pois, que haja, ao menos, um mínimo
de honestidade, probidade e respeito à sociedade! Que essa
seja a nova tradição!
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