O Aqüífero Guarani
Fonte:
www.engenhariaecia.com.br
Introdução
O termo aqüífero
Guarani foi proposto há alguns anos, numa reunião de
pesquisadores de várias universidades de países do cone sul
(Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), como uma forma de
unificar a nomenclatura de um sistema aqüífero comum a todos
eles, e em homenagem à nação dos índios guaranis, que
habitavam a área de sua abrangência. Anteriormente, este
aqüífero era conhecido aqui no Brasil pelo nome de Botucatu,
pelo fato de que a principal camada de rocha que o compõe ser
um arenito de origem eólica, reconhecido e descrito pela
primeira vez no município de Botucatu, estado de São Paulo.
Área de Ocorrência
O aqüífero Guarani ocorre
nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São
Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do sul; atingindo
também os países Argentina, Paraguai e Uruguai. É portanto um
sistema transnacional. A área total de ocorrência chega a
1.400.000 quilômetros quadrados, dos quais cerca de 1 milhão
está em território brasileiro. Sua dimensão norte-sul no
Brasil chega a 2000 quilômetros.
Panorama
geológico.
Este aqüífero é
constituído de várias rochas sedimentares pertencentes à Bacia
Sedimentar do Paraná. Das rochas que compõem o aqüífero, a
mais importante é o arenito Botucatu, de idade triássico
superior a jurássico inferior (190 milhões de anos atrás).
Este arenito foi depositado em ambiente desértico, o que
explica as características que faz dele um ótimo reservatório
de água: Os grãos sedimentares que o constituem são de uma
grande homogeneidade, havendo pouco material fino (matriz)
entre os mesmos. Isto confere a este arenito alta porosidade e
alta permeabilidade.
Sua espessura média é de
cerca de 100 metros, havendo locais onde chega a 130 metros. O
arenito Botucatu está exposto à superfície nas regiões
marginais da Bacia Sedimentar do Paraná. À medida que
caminhamos para as partes centrais desta Bacia, isto é para o
interior dos estados do sul, este arenito vai ficando cada vez
mais profundo, tendo a lhe recobrir espessas camadas de rochas
vulcânicas basálticas, e outros camadas de arenitos mais
recentes.
A região onde o arenito
Botucatu aflora constitui os locais de recarga do aqüífero.
Nas regiões onde o mesmo está recoberto pelas rochas
vulcânicas não há recarga e o sistema está confinado, ou seja,
é artesiano, chegando a profundidades de até 1500 metros.
Apesar desta profundidade,como é um sistema confinado, nos
poços que o alcançam nesta profundidade á água sobe chegando a
pouco menos de 100 metros da superfície, havendo locais onde a
pressão é suficiente para que a água jorre espontaneamente
pela boca do poço.
Potencial Hidrogeológico do Aqüífero Guarani
Este aqüífero é
responsável por cerca de 80 % do total da água acumulada na
Bacia sedimentar do Paraná. Calcula-se que constitua a maior
reserva de água doce do mundo. Como é muito permeável os poços
ali perfurados apresentam vazão que podem ultrapassar os 500
m³/h, com um rebaixamento de somente 150 metros do nível
d'água no poço antes do bombeamento.
Em regiões onde o
aqüífero está a mais de 1000 metros de profundidade a água
pode atingir temperaturas de até 50 graus Celsius, sendo muito
útil em alguns processos industriais, hospitais, no combate à
geada e para fins de recreação e lazer.
O teor médio de sólidos
totais dissolvidos está ao redor de 200 mg/L, sendo uma ótima
água para consumo humano. Contudo alguns poços perfurados no
Estado do Paraná forneceram água com teor elevado de flúor (12
mg/L) o que a torna inviável para uso humano, mas tudo indica
que esta não é a química predominante da água do aqüífero.
Poluição
Estudos têm revelado que
as águas do aqüífero Guarani ainda estão livres de
contaminação. Contudo, considerando que a área de recarga
coincide com importantes áreas agrícolas brasileiras, onde se
tem usado intensamente herbicidas, é de se esperar que são
necessárias medidas urgentes de controle, monitoramento e
redução da carga de agrotóxicos, sob pena de se vir a ter
sérios problemas de poluição.
Outros perigos são:
a) Uso descontrolado e
excessivo, principalmente nos locais que apresentam
artesianismo jorrante, sendo necessário um rígido controle
para se evitar o desperdício de água e conseqüente diminuição
da pressão interna do sistema, o que viria a prejudicar os
outros usuários das redondezas do poço jorrante. Um exemplo
deste desperdício se encontra no município de Pereira Barreto,
interior de São Paulo, onde se joga no rio Tietê, cerca de 4
milhões de litros de água potável por dia. (Aldo Rebouças, in
ABAS INFORMA, 101/2000)
b) Poços
abandonados: todo poço,
que atinja ou não o aqüífero Guarani, e deixe de ser usado,
deve ser convenientemente selado para evitar a entrada direta
de águas poluídas,
c)Vedação:
todo poço deve ser bem vedado para evitar a entrada de água
poluída no espaço anelar existente entre o revestimento do
mesmo e as paredes da perfuração.
