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Energia: mínimo custo x máximasegurança |
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A ameaça de apagões e a atividade solar
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
Quando os campos
magnéticos se deslocam nas proximidades de um condutor, uma corrente elétrica é
induzida no condutor. O mesmo ocorre em grande escala durante as tempestades
geomagnéticas. As empresas de energia transmitem a eletricidade para os seus
clientes através de linhas de transmissões. As correntes diretamente induzidas
nessas linhas pelas tempestades geomagnéticas são nocivas e perigosas aos
equipamentos de transmissão elétrica, como aconteceu em 13 de março de 1989,
quando uma erupção solar provocou o colapso da Hydro Quebec, deixando mais de 6
milhões de clientes no Canadá sem energia elétrica, durante mais de nove horas.
Algumas áreas no nordeste dos Estados Unidos da América e na Suécia ficaram
também sem energia elétrica. Todavia, a preocupação maior é com a rede de
telecomunicação nos anos 2000 e 2002, quando são previstas grandes tempestades
magnéticas.
As radiações do Sol
governam a nossa vida, o tempo e toda a natureza. Além desses aspectos de
participação do Sol na nossa vida diária, provenientes da parte constante da
atividade solar, existem as influências provocadas por eventos solares,
limitados no tempo e no espaço, como as manchas, as erupções, as protuberâncias
e os jatos coronais. Todas as influências provêm da ação das ondas de curto
comprimento de onda e das radiações corpusculares que, em virtude do seu fraco
poder de penetração, agem nas altas camadas da atmosfera.
A alta
atmosfera é, na realidade, o laboratório onde os fenômenos solares realizam as
suas experiências. A densidade dessa atmosfera decresce regularmente com a
altitude. A 30 km de altura, um litro de ar pesa aproximadamente 100 vezes menos
que o nível dos oceanos e, a 100 km, cerca de um milhão de vezes menos. Acima de
200 km, a densidade da atmosfera não depende só da altitude, mas da estação, da
hora e, principalmente, da atividade solar. Ao contrário da densidade, a
temperatura não varia de maneira regular. Ela decresce intensamente da
troposfera a estratosfera, onde atinge o valor de -55°C. Acima de 80 km de
altitude, a temperatura cresce regularmente com altitude. Esse aquecimento
significa transferência de radiação de origem solar em calor.
A
atmosfera compõe-se de oxigênio e de nitrogênio em estado molecular nas camadas
mais profundas e em estado atômico nas camadas mais elevadas. Os componentes
desses elementos, assim como os outros existentes na atmosfera, absorvem os
raios ultravioletas e os raios X de origem solar. Nesses processos, um elétron é
retirado de uma molécula ou de um átomo por efeito fotoelétrico. Essa ionização
se produz, em especial, nas camadas relativamente delgadas da atmosfera acima de
60 km de altitude. De fato, muito pouca radiação é absorvida nas camadas
superiores da atmosfera, em virtude da sua fraca densidade, mas, na camada
inferior, nada ocorre pois ela já foi totalmente utilizada. As camadas
superiores a 60 km se chamam ionosfera, e a parte inferior de neutrosfera.
Como
os diversos componentes da atmosfera absorvem em comprimentos de onda diferentes
e em altitudes diferentes, em conseqüência existem várias camadas ionizadas. As
principais são a camada D, situada a 75 km de altura; a camada E, a 100km; a
camada FÝ, a 150km; e a camada FÞ, a cerca de 260km. Este conjunto de camadas
constitui a ionosfera. Na realidade, um estado particular da nossa atmosfera,
nessas regiões superiores do envelope gasoso que recobre o nosso planeta.
A
ionosfera exerce um papel fundamental na propagação das ondas de rádio. Uma onda
de rádio emitida por uma antena se decompõe em duas partes, com comportamentos
diferentes: uma parte se propaga próximo à superfície da Terra, como uma onda de
solo, e a outra parte se propaga no espaço.
Se a ionosfera não
existisse, esta segunda parte da onda deixaria a Terra sem jamais retornar ao
solo. Ela estaria perdida para as comunicações radiotelegráficas. Como estas
ondas são aquelas precisamente utilizadas para as telecomunicações, podemos
compreender a importância prática da ionosfera para a humanidade. Todavia, como
a intensidade da radiação ionizante varia com a posição e a atividade do Sol, o
poder refletor da ionosfera varia numa grande amplitude.
A propagação das
ondas de rádio depende do estado de ionosfera e fornece, portanto, um método
apropriado para estudá-la. Para que uma emissão de comprimento de onda
determinada venha se refletir na ionosfera, é necessário que a sua densidade
eletrônica tenha um determinado valor. Ora, esta densidade cresce da camada D à
camada F, passando pela camada E. O intervalo de tempo de retorno do eco fornece
a altura do ponto de reflexão e o comprimento de onda utilizado permite obter a
densidade eletrônica que reina neste ponto. Se esta experiência for repetida
diversas vezes, utilizando-se vários comprimentos de onda, será possível deduzir
a variação de densidade eletrônica com a altitude, o que vai fornecer o perfil
ionosférico.
Quando mais curtas
são as ondas, maior será a densidade eletrônica necessária para provocar a sua
reflexão. A densidade eletrônica máxima fixa o comprimento de onda mais curto
que pode ser ainda refletido, ou seja, o comprimento de onda limite. As ondas de
comprimentos de ondas inferiores às mais curtas atravessam a ionosfera, partem
em direção ao espaço e se perdem para as ligações terrestres.
O comprimento de
onda limite nos fornece a densidade eletrônica máxima pois a partir desse valor
é possível calcular a intensidade da radiação ionizante. A ionização depende
também da posição do Sol, da estação do ano e da hora. A recombinação dos íons
positivos e dos elétrons negativos, sob o efeito de sua atração eletrostática
mútua, se opõe à ionização produzida pela radiação incidente. Esta é a razão
pela qual o grau de ionização não pode crescer indefinidamente, apesar da alta
atmosfera estar continuamente recebendo as radiações de origem solar. Na
realidade, no fim de um certo tempo, um equilíbrio acaba por ser estabelecido,
segundo o qual o número de íons que desaparecem a cada segundo, em conseqüência
de uma recombinação, é igual ao número de íons criados pela radiação no mesmo
intervalo de tempo.
Graças
à ionosfera, as ondas curtas circulam ao redor da Terra: elas descrevem uma
trajetória em ziguezague entre as camadas da ionosfera e o solo. As ondas
curtas, por exemplo, de 19, 25, 30, 41 e 69 metros, se refletem nas camadas
superiores (FÝ e FÞ) com densidade eletrônica elevada. Ao contrário, as ondas
longas também chamadas quilométricas, se refletem na camada D, mais inferior. Em
geral, utilizam-se as ondas de dez a cem metros para a propagação ionosférica.
As ondas de comprimento inferior a dez metros não são refletidas porque a
densidade eletrônica não é suficiente, enquanto as ondas de comprimento superior
a 100 metros também não o são por serem absorvidas pela ionosfera e não retornam
mais ao solo. Esses limites variam com a atividade solar, a posição do Sol e a
distância a ser alcançada.
A intensidade dos
raios X que ionizam a atmosfera pode aumentar rapidamente, de modo brusco, por
ocasião de uma erupção solar. A ionização da atmosfera sensivelmente aumentada
poderá provocar uma melhoria na recepção das ondas curtas e uma queda no limite
da abertura para as ondas ainda mais curtas. Em vez disso, quando uma erupção
solar ocorre, todas as ligações por ondas curtas estabelecidas no hemisfério
terrestre iluminado pelo Sol sofrem perturbações e, às vezes, cessam
simultaneamente.
Em
período de máxima atividade solar pode-se observar, em um mesmo dia, várias
interrupções nas transmissões das ondas curtas. Tais interrupções podem ir de
vários minutos a mais de uma hora. A ionização reforça-se, durante a erupção, e
se desenvolve nas camadas mais profundas da ionosfera. As ondas de rádio não são
então mais refletidas, mas absorvidas em virtude da forte densidade. Todas as
erupções, mesmo as mais fortes, não produzem um enfraquecimento das ondas
curtas, ao contrário, todo fenômeno desse tipo é devido à erupção. Durante os
anos de mínima de atividade solar, não se registra nenhuma interrupção das ondas
curtas durante meses, enquanto que durante os anos de máxima, observam-se
interrupções e perturbações nas transmissões praticamente todos os dias.
Se,
por um lado, a recepção das ondas curtas é alterada por uma erupção, ao
contrário, por outro lado as recepções das ondas quilométricas são melhores.
Normalmente, as ondas longas são absorvidas quando elas penetram na ionosfera.
Com efeito, durante uma erupção, a ionosfera desce mais para baixo, como o seu
limite inferior muito nítido, as ondas longas não podem penetrar, elas se
refletem como se fosse em uma ``superfície'' metálica.
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